Queridas irmãs, uma tentativa de comunicação

 

A esta altura já sabemos que o contrário da vida não é a morte, mas o desencanto. Também sabemos que a poeta disse: Move-te, se te queres viva.

 

Como devemos falar de vida, agora, em que tudo morre? Parece não haver outra saída senão esparramarmos nossa pulsação nos outros tempos além deste - também os ficcionais, criados na recusa de sermos assimiladas pelo inimigo.

 

Coube a nós, hoje, agora, formular juntas alguma continuidade para isso tudo. 

 

Como uma flecha a atravessar a escuridão, lançaremos escritas para o que virá. Como faróis a lançar alguma luz, algum rastro, nos dedicaremos a criar juntas um documento-tentativa.

 

Como escrever para irmãs que ainda não chegaram? 

O que é importante registrar para existências que virão depois de nós?

 

Acreditando que palavra pode ser feitiço: lançaremo-nos-nas a ver se encontram a concretude de alguma utopia.

 

Seremos insuportáveis na arte de imaginar possibilidades e brutais nas descrições de nossos sonhos. Não seremos tradutoras de dias em fracasso: escreveremos com a força das ideias formuladas no futuro, sonhadas no passado e avolumadas nisto que chamam presente. Transtemporalizar as palavras, fazer com que alcancem o pó do desconhecido.

 

Escreveremos juntas para as nossas irmãs.

Usaremos um Docs compartilhado, nos refestelaremos em suas ferramentas. 

Aqui está o link: 

 

Com o furioso amor de sempre: bom trabalho.